– SEMEADURA –

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“Não vos iludais; de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá”.
( Gálatas, 6:7)

A assertiva do Apóstolo dos Gentios nesta passagem é expressiva. Assinala uma orientação essencial a todos aqueles que estão buscando o desenvolvimento e crescimento espiritual.

Aqueles que possuem total identificação com o Senhor da Vida guardam em seu poder uma máxima capacidade de entendê-lo, por isso afirmam: “Não vos iludais; de Deus não se zomba”.

Zomba-se ou desdenha-se das coisas a que não se dá importância, e essa desconsideração ou irreverência pode ter como resultado uma semeadura amarga: “O que o homem semear, isso colherá”.

Na semeadura a que nos referimos no versículo em estudo não é feita a colheita do castigo ou da punição por zombar da Divindade, mas a da infelicidade daquele que não tem por certo um poder superior, que não se rende ou se submete à “marca” ou “selo divino” que dirige sua existência.

Quem sabe que Deus não é uma mera figuração reflexiva do pensamento filosófico ou religioso o respeita profundamente, pois está plenamente convencido de que Ele é o Psiquismo Universal, a Causalidade Absoluta de tudo o que existe.

A pior colheita é a dos frutos da desventura: não crer em si (como Espírito imortal) nem em Deus, e prosseguir vivendo nessa condição.

Felicidade é o subproduto de nossa responsabilidade pelo uso do livre-arbítrio.

Autorresponsabilidade é conquista de quem reconheceu que ninguém pode nos fazer feliz, uma vez que felicidade é trabalho interior – pode ser compartilhada, entretanto cada um deve conquistá-la por si mesmo.

Somos nós que escolhemos os valores éticos, culturais, ideológicos, religiosos e afetivos, de acordo com nossa coerência interna e nosso grau evolutivo. No entanto, precisamos, igualmente,compreender que o controle sobre a nossa vida não é ilimitado, nem absoluto.

Livre-arbítrio não significa onipotência ou poder soberano. É uma possibilidade de decidir, uma força em nossa vida, não há dúvida, mas não a única que dirige a existência humana.

De épocas em épocas, somos atingidos por forças que independem de nossa vontade consciente – ambientais, culturais, genéticas, políticas e outras tantas -, as quais visivelmente não foram objeto de nossa escolha.

Podemos ter livre-arbítrio sobre como vamos responder a essas forças, mas não sobre o controle de sua ação e determinação.

Um exemplo simples: em certas encarnações podemos nos distanciar do progresso intelecto-espiritual, mas não podemos assim proceder indefinidamente, pois “o homem não pode ficar, perpetuamente, na ignorância, porque deve atingir o fim marcado pela Providência: ele se esclarece pela força das coisas”.

Em outras palavras, temos opção momentânea, mas existe uma força determinante que nos faz progredir, querendo ou não, independentemente de nossa vontade ou liberdade de escolha.

“É necessário, aliás, distinguir o que é obra da vontade de Deus do que é a vontade do homem”.

Sem exceção, as leis divinas ou naturais (escritas na consciência) são desígnios de Deus – indicam ao homem “o que deve fazer e o que não deve fazer”.

Eis aqui outros esclarecimentos dos Guias da Humanidade que se encontram em “O Livro dos Espíritos”, os quais têm relação com as determinações superiores que dirigem nossas existências:

– Sobre a lei de adoração: “A prece não pode ter por efeito mudar os desígnios de Deus, mas a alma por quem se ora experimenta alívio, porque recebe assim um testemunho do interesse que inspira àquele que por ela pede…”.

– Sobre a lei de destruição: “Os flagelos são provas que fornecem ao homem a ocasião de exercitar sua inteligência, de mostrar sua paciência e sua resignação à vontade de Deus, e o orientam para demonstrar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo…”.

– Sobre a lei de conservação: “Porque todos têm que concorrer para o cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver”.

A maior conquista do ser consciente é conceber que há uma Soberania Universal que tudo controla e dirige harmoniosamente; por isso ele não teme entregar as “rédeas existenciais” nas Mãos Celestes.

A maior desdita do homem é ignorar que as vidas são interligadas e que existe para cada um de nós um “plano divino” cuidadosamente taçado pela Vida Maior. É desconsiderar a existência de um desígnio celestial que nos promove, sem que o percebamos, conduzindo-nos ao progresso e à felicidade.

Precisamos desafiar crenças equivocadas ou falsos conceitos a respeito de quais são os nossos verdadeiros limites. A Natureza como um todo precisa ser obedecida; a Natureza em mim precisa ser conduzida.

“Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer”.

Essa imagem utilizada por Paulo de Tarso em suas exortações aos coríntios pode nos esclarecer melhor acerca dessa questão pela qual Deus conduz os acontecimentos e as criaturas para o fim que lhes foi destinado.

O apóstolo diz: “Eu plantei”, meu companheiro de ideal “Apolo regou” – isso é livre-arbítrio, “mas era Deus quem fazia crescer” – isso é a ação providencial que tudo faz acontecer. Deus é o Mantenedor Supremo do Universo.

A Divindade criou o livre-arbítrio, nós criamos a fatalidade. Entretanto, não podemos ficar reduzidos à condição de vítima; é necessário quebrarmos o estigma dessa crença inadequada e rompermos os grilhões que forjamos para nós mesmos.

Nenhuma pessoa na face da Terra existe para nos servir ou satisfazer as nossas necessidades; somos donos apenas da própria vida, mas não da Vida Maior. Isso quer dizer que cada homem tem o mapa sagrado de sua existência, a ser executado com a colaboração do seu livre-arbítrio, porém circunstanciado pelo grande plano da Soberania Divinal.

Por fim, queremos destacar que a noção de Causalidade Absoluta (vontade de Deus) e de livre-arbítrio (vontade do homem) que estudamos neste versículo não nos deve levar a uma vida de irresponsabilidade, justificando desajustes, discórdia ou separações, atribuindo-os à vontade de Deus. Ou mesmo, acreditar que temos um domínio e controle ilimitados e, por isso somos criaturas poderosas, ou que “tudo que cremos que seja possível acontecer, acontece”.

Os conceitos aqui desenvolvidos são fundamentados na auro-responsabilidade e na proposta de nos colocar em contato com a realidade, pois muitos de nós temos a tendência de não assumir os fatos reais da vida, desviando a mente para fantasias filosóficas, para não responder pelas próprias ações.

São considerados alienados todos aqueles que vivem sem conhecer ou avaliar os fatores sociais, religiosos, éticos e culturais que os condicionam a viver da forma que vivem e também aqueles que não percebem os impulsos íntimos que os levam a agir da maneira de agem.

“Não vos iludais; de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá”.

Não são poucos os “zombadores inconscientes”, que menosprezam e depreciam sem perceberem as incontáveis revelações providenciais que recebem todos os dias. Por não notarem com nitidez a Suprema Luz agindo em toda a parte, semeiam ilusões no terreno da própria alma e vivem indolentes, desinteressados e descrentes diante das verdades eternas.

O que sentimos, pensamos e fazemos é nossa semeadura, e não querer assumir nossos sentimentos, pensamentos e atitudes também o é.

Somos em síntese a causa e o efeito de nossos atos e atitudes. A responsabilidade pessoal e o livre-arbítrio implicam a obrigatoriedade de respondermos por nossas decisões e comportamentos adotados.

“Um Modo de Entender – uma nova forma de viver”
Francisco do Espírito Santo Neto
ditado por HAMMED
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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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