– A “PREÇO FISIOLÓGICO” –

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“O fariseu, vendo isso, ficou admirado de que ele não fizesse primeiro as abluções antes do almoço. O Senhor, porém, lhe disse: Agora vós, ó fariseus! Purificais o exterior do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de perversidade! Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o interior?”
(Lucas, 11:38 a 40)

O recém-nascido traz consigo das vidas pregressas mentalidade e sensibilidade suficientes para interagir ou reagir aos anos e comportamentos positivos ou não dos adultos com os quais convive.

Não obstante, há pessoas que são de parecer que não se educam os recém-nascidos, uma vez que ainda não desenvolveram integralmente os órgãos dos sentidos. Existe, todavia, uma educação inarticulada e inconsciente adquirida pelo bebê, que pode ter origem nas atitudes dos pais, mas totalmente despercebidas deles.

Os bebês possuem a capacidade de “estesia” – do grego aísthesis (sensação) -, uma característica congênita; em outras palavras, a sensibilidade mental, emocional e espiritual inerente a todo ser humano. Essa faculdade de perceber e captar informações sobre as mudanças no meio (externo e interno) e de a elas reagir através de sensações está presente em toda criança, ainda mesmo que ela não fale nem entenda corretamente o que dizemos.

Cada um de nós renasce para aprender e crescer sempre, abordando a nova existência com os olhos curiosos de um eterno aprendiz, livre para usar as vocações e disposições naturais.

Os preconceitos internalizados no berço levam as crianças, no futuro, às inseguranças, às fobias, às doenças psicossomáticas, que vão tolher ou distorcer a formação de sua mentalidade.

Apesar de os adultos reconhecerem no íntimo as singularidades dos filhos, continuam impondo conceitos, ideias, e tentando fazer deles seres idealizados segundo sua expectativa fantasiosa de perfeição e seu modelo de felicidade.

As regras e normas sociais e injustas, elaboradas por uma sociedade conflitada e desarmônica, estabelecem uma visão dualista entre o masculino e o feminino, desrespeitando e desmoralizando a individualidade das consciências em desenvolvimento.

Desde a infância, ensinamos aos filhos: jeito de falar e andar, posturas corporais, assuntos permitidos, profissões e roupas adequadas para cada sexo. Contudo, nos esquecemos de que o ato mais educativo, compassivo, pedagógico e de melhor adequação à formação psicoespiritual infantil, seria o de fornecer às crianças condições de defender suas opiniões e sentimentos, incutindo-lhes autorresponsabilidade por seus comportamentos e decisões, respeito incondicional pelos outros e discernimento na justeza de sua razão e juízo sobre o que elas podem ou não fazer.

Criam-se diretrizes existenciais diferentes para homens e para mulheres, sem análise dos fatores: disposição natural, aptidão, sentimento, vocação. Ser homem ou ser mulher é uma situação temporária, é uma roupagem que o Espírito veste a fim de adquirir conhecimento e intuição, razão e sensibilidade, abstração e concretude diante de sua caminhada existencial.

Mentalidade é o conjunto de crenças, costumes, hábitos e disposições psíquicas de um indivíduo. Jesus Cristo, vivendo entre seres fundamentalistas, ortodoxos e fanáticos – alicerçados sobre uma mentalidade rígida quanto a “normas” e “regras” estabelecidas pelas antigas religiões -, haveria de não ser compreendido por sua postura de relacionamento livre de preconceitos e por ensinar sempre novos aspectos de sentir, pensar e agir.

“Agora vós, ó fariseus! Purificais o exterior do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de perversidade! Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o interior?”

Nossos preconceitos são máscaras que, inicialmente, nos dão um aparente conforto e proteção, mas, depois, nos confinam entre grilhões e opressões. Talvez a causa da nossa insatisfação seja não estarmos fazendo o que queremos fazer, e sim o que os outros disseram que devemos fazer. Preconceitos enraizados são fonte de desprazer e de distonias emocionais que, com o tempo, se materializam em doenças físicas.

Na vida social pagamos as coisas a “preço de custo”, “preço de mercado”, “a qualquer preço”, mas os preconceitos nós os pagamos a “preço fisiológico”.

“Um Modo de Entender – uma nova forma de viver”
Francisco do Espírito Santo Neto
ditado por HAMMED
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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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