– A RELIGIÃO NATURAL –

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"Um Modo de Entender - uma nova forma de viver"

“Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”
(1 Coríntios, 3:16)

Uma das descobertas fundamentais do Dr. Carl Gustav Jung é a do inconsciente ou psique arquetípica.

A expressão inconsciente coletivo, segundo o conceito junguiano, é uma herança psicológica, onde se encontram conteúdos de estrutura psíquica, padrões universais ou arquétipos (do grego archétypon“o que é impresso desde o início”) existentes na intimidade de todos os seres humanos.

De acordo com suas teorias, há no inconsciente coletivo vários arquétipos, mas existe um, central e fundamental, que tem a função de unificar e reconciliar todos os outros e de reequilibrar todo o governo psíquico (consciente e inconsciente). Ele o denominou de Self ou Si-mesmo.

Ele é descrito como a autoridade mental suprema, e equivale à imago Dei. O Self é a sede da identidade objetiva, enquanto o ego é a sede da identidade subjetiva – o centro da personalidade consciente.

O Self contém em si tanto o consciente quanto o inconsciente e mantém o ego sob seu comando. Há outros nomes associados ao Si-mesmo: eixo central, totalidade criativa, centro da psique e união dos opostos. Podemos dizer que ele é o ponto onde Deus e o homem se encontram.

Jung afirmava que a religiosidade tem também uma função psíquica. Os arquétipos do inconsciente coletivo tem força e valores equivalentes aos pontos fundamentais ou princípios religiosos.

Quando Jung fazia menção à religião, não se reportava a um credo ou igreja especificamente. O que ele tinha em estudo era o comportamento religioso, o conteúdo da religiosidade no processo psíquico.

Na sua obra científica, ele se refere à religiosidade como um fenômeno universal encontrado desde os tempos mais antigos em cada grupo étnico, raça ou povo.

“Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas”, afirma Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”.

Podemos dizer, sobre a existência de Deus, que há um “sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si”. A religiosidade apresenta-se como fenômeno natural.

Para Jung, a imagem arquetípica de Deus se encontra no Self, cuja principal função é levar as emanações e efeitos da imago Dei à mente consciente do indivíduo.

No seu trabalho de analista, observou uma dimensão transpessoal que se manifesta em padrões ou imagens universais, os quais podem ser identificados em todas as mitologias e religiões do mundo.

Não são poucos os que ainda entendem a existência de Deus de forma simplista e bem estreita, adorando ídolos como se vivessem na era mosaica ou na Idade Média.

É preciso nos inteirarmos de todas as áreas científicas, interagir no universo de todas as realidades filosóficas, uma vez que elas podem contribuir consideravelmente com a religião. Tudo provém de Deus, “pois nele vivemos, nos movemos e existimos”.

“A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra, as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra”.

religiosidade

Disse Albert Einstein:
“- A minha religião consiste numa admiração humilde ao Espírito Supremo e Ilimitado, que se revela a si mesmo nos mínimos pormenores, que estamos aptos a captar com as nossas fracas mentes e com profunda certeza de um Poder Superior, que se revela universal”.

A religião do futuro será reconhecida como uma realidade interna, será vivenciada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si o “ser religiosidade”.

Como toda atividade psíquica, a religiosidade é suscetível de ser aprimorada, assimilada e investigada ou, também, de ser depreciada, adulterada e restringida. No entanto, sua força energética se manifesta de uma forma ou de outra e procura dar vazão, utilizando as mais variadas vias de expressão. Esse fenômeno de escoamento energético surge de modo inesperado e surpreendente, elegendo os deuses da música, do teatro, do cinema, do futebol e outros tantos.

Uma das maneiras de o conteúdo religioso se anunciar é por meio dos símbolos; aliás, a simbologia é a linguagem mais usada pelas antigas religiões.

Em muitas ocasiões, no lugar das imagens sacras e altares consagrados, surgem pessoas, objetos e componentes simbólicos, que passam a ser cultuados ou venerados impensadamente. Muitas vezes, fatos e acontecimentos sociais e/ou esportivos chegam a ter uma importância quase sagrada.

A “beatlemania” e outras devoções a grupos e cantores musicais; o culto às raças, às nações, aos partidos políticos; a idolatria ao dinheiro, ao sexo e às máquinas e automóveis podem ser reconhecidos como um extravasamento inconsciente da função religiosa existente na psique dos seres humanos ainda presos no sono da inconsciência de si mesmos.

As solenes marchas fúnebres dos chefes de países ateus, nas quais se carregam fotografias e enormes bandeiras, seguidas por inúmeros partidários, se assemelham às procissões sacras. O fanatismo e a paixão desenfreada pelos “semideuses” do esporte constituem instintivas e imperceptíveis exteriorizações do conteúdo da religiosidade que, muitas vezes, não ultrapassam o limiar da consciência, mas participam de forma ativa no dia-a-dia dos indivíduos que dão seus primeiros passos rumo ao aperfeiçoamento da percepção interna.

Grande parte da humanidade está supostamente comprometida com o materialismo ou com os fatos puramente físicos, mas não pode ser considerada distante ou apartada do Self. Uma análise mais profunda revela que não existem materialistas; estes estão somente exercitando canais diversificados para deixar fluir a energia que emana da função religiosa da psique.

O jeito de viver das pessoas, que acreditamos ser desastroso ou julgamos como “caminhos do mal e da perdição”, nada mais é do que o produto de nossa miopia diante dos mecanismos evolutivos que promovem nosso crescimento espiritual.

Nem sempre os fenômenos psíquicos podem ser entendidos de imediato. Na vida não há nada que não tenha uma razão de ser.

Tudo aquilo que parece trágico e negativo em nossa existência é apenas a vida articulando e traçando caminhos, para que possamos nos desenvolver, crescer e progredir sempre.

As diversas formas de expressão religiosa, manifestadas por todos os povos, vem de Deus. Ele é o Psiquismo do Universo, o Mar de Estrelas que governa a imensidão do Cosmo. É o Criador da vida em nós e fora de nós.

A verdadeira religiosidade não precisa se vincular a nenhuma organização externa; ela por si só nos remete ao despertar interior, ao relacionamento com a própria alma, com o Selfimago Dei. Por isso, escreveu Paulo de Tarso: “Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”

Somos Filhos de Deus – Causalidade Absoluta, Arquétipo Celeste -, somos frutos de seu amor e vontade e trazemos em nosso íntimo e selo divino impresso na alma imortal – a marca do Si-mesmo.

Confiemos e perseveremos Nele, pois Ele nos dirige e guia continuamente, determina e supre nossas necessidades evolutivas.

“Um Modo de Entender – uma nova forma de viver”
Francisco do Espírito Santo Neto
ditado por HAMMED
 
45 – PERANTE A DOR – próximo
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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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Uma resposta para – A RELIGIÃO NATURAL –

  1. Alexandre de Castro disse:

    Eu interpreto que a minha caminhada na vida é a simplicidade ao eliminar condições…seja qual for o campo na qual elas interferem para o meu progresso pessoal e espiritual.

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