– SUBPERSONALIDADES –

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"Um Modo de Entender - uma nova forma de viver"

“Zaqueu…procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que iria passar ali. Quando Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois devo ficar em tua casa”.
(Lucas, 19:2 a 5)

O desconhecimento da nossa intimidade e as crenças inadequadas e inconscientes que sustentamos sobre nós e sobre a natureza humana influenciam sobremaneira a capacidade de compreendermos claramente os vários fenômenos psicológicos e emocionais presentes nas atividades de nossa casa mental.

Por isso, para entendermos o funcionamento da vida íntima, precisamos silenciar nosso interior e não sentir medo de olhar para dentro de nós mesmos, sondando as nossas profundezas.

Precisamos enxergar muito além da chamada visão normal e ultrapassar as fronteiras da imposição das autoridades intelectuais egocêntricas. Em última instância, fazer um constante exercício no reino do pensamento reflexivo.

Zaqueu é o protótipo do nosso desejo de ver, de ir além, de penetrar, de transpor, de percorrer de uma extremidade a outra, para discernir melhor a transcendência da vida.

“Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura.”

A personalidade que nós apresentamos aos outros como real é, muitas vezes, uma “subpersonalidade”, uma variante às vezes muito diferente da realidade interna.

Julgamentos, pontos de vista, ideias e pensamentos, positivos ou negativos, são forças ativas de intensa atividade -, que se movimentam em nosso halo mental. Essas estruturas energéticas podem ser denominadas “subpersonalidades”, “personalidades parciais”, ou “formas-pensamento”. São aspectos do ego, também conhecido como persona.

Elas giram em torno do seu criador, estando sempre prontas para influenciar, de forma determinante, sempre que houver condições receptivas. Assemelham-se a verdadeiros discursos internos.

A “multidão” que impedia Zaqueu são as várias personalidades ocultas que nos impedem de ver com lucidez os recados da alma. Sua “baixa estatura” é a representatividade da limitação egóica em que vivemos.

Quando estamos identificados com determinada “subpersonalidade”, todas as nossas percepções são definidas por ela. Passamos a ter uma visão de mundo com limites particularmente fixados.

É preciso alcançar uma posição superior, subir “num sicômoro para ver Jesus que iria passar por ali”. Alçar-se nessa figueira nativa é o mesmo que sair de todo e qualquer “nivelamento psicológico”, não se deixar dominar pelas “convenções sociais” que, em muitas ocasiões, impermeabilizam a mentalidade dos seres humanos.

Muitas das “subpersonalidades” são criadas na fase infantil, e, em determinadas épocas, podem ter uma função útil e defensiva.

Por exemplo, uma criança de cinco anos de idade pode suprir sua necessidade de atenção e carinho quando é manipuladora ou manhosa. Ela forja, de modo imperceptível, um comportamento birrento ou chorão, para que possa ser notada e ouvida pelos pais.

Se, ao tornar-se adulta, continuar manipulando as pessoas com esse tipo de atitude a fim de conseguir cuidados e zelos, obviamente estará usando uma forma inadequada de se relacionar. Estará deixando de lado a espontaneidade e a sinceridade, princípios vitais em qualquer relação humana.

Embora o papel de manipulador tenha sido proveitoso em certo período da vida dessa criança, o que lhe garantiu reconhecimento e amor dos outros, se perpetuado, com certeza lhe causará desencontros, raiva e falsidade no convívio com seus semelhantes. Essa atitude pode impedi-la de encontrar formas maduras e saudáveis de convivência.

A “manipulação” é um entre muitos padrões comportamentais adquiridos nesta ou em outras existências. A “subpersonalidade manipuladora” é uma das inúmeras facetas do ego, construídas ao longo da vida.

Somos naturalmente aprisionados ou libertos pelas nossas próprias criações, de acordo com as correntes mentais que idealizamos.

Precisamos distinguir os traços característicos dessas “personalidades parciais”, visto que, se nos identificarmos fortemente com qualquer uma delas, poderemos nos debilitar ou prejudicar nosso crescimento espiritual e emocional.

persona

Apresentamos a seguir um jeito simples de entender as várias facetas de algumas de nossas “subpersonalidades”. Podemos denominá-las de forma figurada utilizando seus respectivos conteúdos psicológicos: a narcisista, a magoada, a aconselhadora, a ferina, a manipuladora, a impecável, a sistemática, a sabe-tudo, a candura, a salvadora, a mártir, a melindrada, a super-heroína, a sempre-certa e outras tantas.

É importante acolhermos nossas “subpersonalidades”, sejam quais forem, com aceitação e cordialidade. Elas podem nos mostrar as tarefas que foram inacabadas, o que temos que fazer para não perpetuar padrões do passado, além de indicar-nos as lições de transformação íntima que precisamos efetuar.

O desenvolvimento de uma criatura sadia exige consciência de si, ou seja, consciência reflexiva sobre si própria, sobre sua condição e seus processos interiores. Essa autoconsciência é que nos dá habilidade para diferenciar e identificar nossos conteúdos psíquicos, e alterá-los, melhorá-los ou renová-los.

“Quando Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois devo ficar em tua casa”.

“Ele procurava ver quem era Jesus”, mas, ao mesmo tempo, “Jesus levantou os olhos” e o buscou. É o reencontro daquele que busca com a criatura que se procura. É incontestável que todos nós um dia ficaremos frente a frente com a Realidade Maior, ois ela, por sua vez, também nos busca e vem ao nosso encontro.

Ao estabelecermos uma conexão com o Self, ou Si-Mesmo, experimentamos uma abundante e ilimitada visão de acesso à sabedoria, alegria, afetividade, coragem, lucidez, compreensão, amor, respeito, liberdade, desapego, compaixão, individualidade e perdão.

Devemos reconhecer que o primeiro passo para a renovação das atitudes é deixarmos de olhar o mundo através de uma máscara, ou pesona – personalidade que nós apresentamos aos outros como real -, e nos ligarmos à amplitude do centro, ou Self. E distinguir a sensação entre o relacionamento com o “eu pequeno” e o “Eu real”, ou seja, a alma.

“Um Modo de Entender – uma nova forma de viver”
Francisco do Espírito Santo Neto
ditado por HAMMED
 
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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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Uma resposta para – SUBPERSONALIDADES –

  1. Alexandre de Castro disse:

    Eu leio e releio cada parágrafo.
    Muita sabedoria e humildade.
    Como sou grato por adquirir e compartilhar tal conteúdo.

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