– A INVEJA –

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"Um Modo de Entender - uma nova forma de viver"

“É verdade que alguns anunciam o Cristo por inveja e porfia, e outros por boa vontade: estes por amor proclamam a Cristo”.
(Filipenses, 1:15 e 16)

O sectarismo, há tanto tempo predominante nas atividades da fé, encontra neste versículo de Paulo de Tarso aos filipenses um antídoto contra o espírito polêmico e invejoso. A atitude sectária ou intolerante pode ter como base a estrutura psicológica da inveja.

São sinônimos de porfia: discussão, polêmica, desavença, disputa, contenda em torno de questões que suscitam desentendimentos e que podem levar a ataques verbais e, até, físicos.

Quase sempre, os polemizadores cultivam exteriormente uma postura de certeza absoluta, por causa de dúvidas profundas em sua mente inconsciente. Quem tem convicção no que diz não altera a voz nem tenta vencer ou persuadir, de forma obstinada, a nenhuma pessoa sobre suas ideias e ideais.

À emoção da inveja se misturam as da raiva, da frustração e do despeito nascidas diante da felicidade e prosperidade de outrem. Ela é uma afronta à individualidade alheia, produzindo nas pessoas uma sensação de impotência e de falta de valor.

Nasce do despeito de quem observa o bem-estar e sucesso da originalidade das criaturas que são o que querem ser e que fazem as coisas do modo como querem fazer.

Os invejosos examinam-se constantemente e, ao mesmo tempo, cobiçam as habilidades dos outros, sejam elas materiais/pessoais, psicológicas/emocionais ou espirituais/religiosas. Possuem uma amargura íntima em face da constatação da prosperidade e do progresso de seu semelhante.

A inveja objetiva tanto as propriedades como o prestígio, o ter quanto o ser; não só os bens, mas também as qualidades do próximo, podendo tornar-se um comportamento crônico na vida do ser humano.

O contato com outras criaturas nos atrai, nos seduz, nos conduz a querer mais, a desejar sempre coisas novas, e nós nos impomos alvos cada vez mais elevados.

Na infância, crescemos olhando os nossos parentes importantes e amigos da família. Quando adultos, notamos o que fazem artistas bem-sucedidos, os modelos de beleza, as personagens políticas e religiosas, as figuras em destaque, indivíduos afortunados, e nos comparamos com eles. A inveja é instigada pelos desejos exteriores.

Mas esses anseios desmedidos podem nos levar, com frequência, a decepções e desgostos por não conseguirmos satisfazer nossa exigência idealizada. Em cada aspiração há muitas vezes a possibilidade de perda.

A frustração sempre aparece quando não conseguimos eliminar o estado de tensão ou excitação corporal (criado por nós mesmos) ao não atingirmos o objetivo cobiçado.

Nem sempre alcançamos o êxito dos outros. Somos constrangidos, então, a retroceder. Essa decepção pode assumir várias formas emocionais: vingança, raiva, ódio, tristeza, desinteresse. Ou mesmo repulsa e desprezo pela figura em destaque com a qual nos havíamos identificado.

Em decorrência do desejo frustrado, tentamos afastar de nossa mente a pessoa que havíamos supervalorizado, depreciando-a, diminuindo seus valores e qualidades pessoais, afirmando que ela nada vale. Essa é uma das origens primordiais do surgimento do boato maldoso, da maledicência ou da calúnia.

A inveja pode ser analisada como um mecanismo de autodefesa. É a tentativa de uma pretensa proteção por meio de uma atitude de repulsa ou de desvalorização de outrem.

Os mecanismos de defesa do ego são processos mentais construídos para proteger nossa vulnerabilidade. São medidas de autoproteção que permitem ao indivíduo sustentar sua integridade psicológica servindo-se de um “auto-engano”.

Muitas criaturas, por não conseguirem conviver com seus reais sentimentos e emoções, tentam contê-los ou encerrá-los, disfarçando-os ou omitindo-os.

Através desses mecanismos, almofadamos nosso ego para evitar maiores lesões ou danos. São tentativas de proteção e, ao mesmo tempo, barreiras que impedem o encontro com o “Eu verdadeiro”.

Outra fonte básica da inveja é encontrada no hábito da comparação. Para sabermos o nosso autovalor ou o quanto somos queridos, nos comparamos com as qualidades de outras pessoas.

Igualmente, começamos, na fase infantil, a nos colocar “frente a frente com o outro”, nos julgando e comparando com nossos irmãos, primos e outros parentes próximos. Em outras circunstâncias, são os próprios pais que estabelecem comparações, criando uma espécie de classificação e nivelando as criaturas em iguais, superiores ou inferiores a algo ou alguém.

A seguir, no decorrer da vida, esse confronto ou julgamento se perpetua: com os colegas de escola, com os amigos em agremiações comunitárias, em instituições religiosas e em outras atividades sociais.

Continuamos sendo avaliados e avaliando tudo que existe ao nosso redor, querendo ser os melhores, os mais considerados e aplaudidos, enfim os superiores.

Se não acionarmos dispositivos psicológicos para conter esse impulso, ele pode se tornar desenfreado, incitando-nos a disputar, avaliar e julgar continuamente a tudo e a todos.

O ciclo de comparação pode se manter em nosso cotidiano por tempo indeterminado – algumas vezes atenuado, outras vezes mais intenso; ora damos passos à frente, ora passos para trás.

A inveja se traduz sempre por uma atitude de competição, em que o prestígio, o sucesso e o poder não são conquistados, e sim ambicionados; uma busca daquilo que pertence a outras pessoas, ou é mérito delas.

inveja

A aspiração e a avaliação são dois pilares válidos e estruturais do nosso mundo íntimo, mas podem se tornar fontes da inveja. Precisamos nos apropriar de nossos valores inatos, pois todos temos forças em potencial que tendem a crescer, ampliar, expandir e nos conduzir à realização de ser, ter e fazer o que almejamos.

“É verdade que alguns anunciam o Cristo por inveja e porfia, e outros por boa vontade: estes por amor proclamam a Cristo”.

Lendo a afirmativa de Paulo, reconhecemos que, em todos os tempos, a humanidade enfrentou a intransigência dos religiosos fanáticos e fundamentalistas que “anunciam o Cristo por inveja e porfia”, enquanto “outros por boa vontade”.

Budistas, católicos, judeus, hinduístas, espíritas, protestantes, muçulmanos e outros religiosos transitam influenciados pelas garras da porfia e da inveja, como se a religiosidade se exprimisse através do fermento da separação.

Todos os indivíduos devem evitar a ameaça do sentimento faccioso, que adia indefinidamente a paz no Planeta e sublimes construções espirituais.

Na Casa do Pai não há diferença entre as criaturas. Muitos querem se apropriar da Divindade, mas se esquecem de que a paternidade divina é herança sagrada de cada ser humano.

A verdadeira religiosidade vai muito além dos territórios geograficamente delimitados pelos homens e, por consequência, elimina as fronteiras culturais, psicológicas e sociais que envolvem os povos da Terra.

O ser desperto não se prende a nenhuma doutrina de caráter discutível, de cujos adeptos se espera que a aceitem passivamente. Ele não as deprecia, nem as combate pela polêmica; pode não aceitá-las, mas as respeita.

A inveja surge sempre como um relâmpago, atrelada à ideia que temos de nosso próprio valor e do valor que atribuímos aos outros. A cada confronto invejoso encontramos sempre algum obstáculo, que nos coloca em risco e dificuldade. A cada cobiça frustrada há o perigo de naufrágio moral.

Os seres despertos “por amor proclamam a Cristo”, são considerados homens de “boa vontade”, entendem a religiosidade como um estado de alma e, por isso, não se vinculam a nenhuma organização de ordem hierárquica. Essa religiosidade provoca neles o despertar do Reino dos Céus, o relacionamento com a própria alma.

Mesmo quando somos os invejados, sentimos uma atmosfera densa e nociva. A inveja dos outros nos insulta e zomba de nossas melhores intenções. Há os que procuram restringir nosso próprio valor, desabonando nossa imagem e, dessa maneira tentam sufocar nosso jeito de ser e viver, intoxicando o dia-a-dia. A inveja é uma forma terrível de agressão.

Todos os indivíduos devem evitar a ameaça do sentimento faccioso, que adia indefinidamente a paz no Planeta e sublimes construções espirituais. Infelizmente, é muito grande o número de orientadores encarnados que se deixam dominar pelas garras perturbadoras da “inveja e porfia”. Espessos obstáculos lhes impedem uma unificadora “visão de maioria”.

“Um Modo de Entender – uma nova forma de viver”
Francisco do Espírito Santo Neto
ditado por HAMMED
 
51 – FÉ – próximo
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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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Uma resposta para – A INVEJA –

  1. Alexandre de Castro disse:

    Inveja admitida e compartilhada, deixa de ser um sentimento que causa angústia.
    Ao fazê-lo, admira-se o sucesso e a felicidade daquele que outrora fora invejado.
    Difícil apenas no começo, em seguida torna-se hábito e a felicidade alheia torna-se também a própria felicidade.

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