2. Relação Possessiva e Relação por Participação

Se bem que a arte de viver seja um processo contínuo, do ponto de vista da relação e com fim didático, pode ser dividida em duas grandes etapas: a da relação possessiva e a da relação por participação.

A relação possessiva impõe dependência. O ser humano acredita poder dispor dos demais como se fosse amo e senhor do que o rodeia, inclusive de outros seres, de suas vidas, seus sentimentos, seus pensamentos. Quando não o consegue se deprime ou se enfurece e reage contra aquilo que escapa a seu império. Por isso as consequências da relação possessiva são dor e destruição.

A agressividade na relação possessiva responde a nossa vontade de nos impor sobre os demais. Se não os considerássemos como algo que nos pertence não poderíamos descarregar paixão sobre eles. Por esse motivo, ainda que a relação possessiva nem sempre se manifeste em atos de violência física, violenta aos seres, ao meio, à natureza.

A relação possessiva solapa a liberdade inerente ao ser humano. Se bem que dentro desse estado de consciência pode-se conceber que os demais tenham certo grau de liberdade, na prática o desconhecemos, exceto o nosso próprio.

O esforço para dominar e obter algo através da relação faz com que seus resultados sejam a decepção e a solidão. Em vez de unir, a relação possessiva separa e, no final, destrói a própria relação.

O círculo vicioso de posse e destruição se rompe quando o ser compreende que seu afã possessivo fere aqueles que necessita amar e reconhece sua possibilidade de participar. Este despertar leva o ser humano a se sobrepor a seus impulsos instintivos e egoístas e a nutrir sua necessidade de compartilhar, participar e de dar-se aos demais.

Os primeiros passos para a harmonia da relação são dados, ao se ampliar o círculo do amor e aprender a desfrutar e a sofrer pelos outros.

Amar maior número de pessoas, trabalhar pelo bem de outros sem manipular os que ama, habilita a fixar a atenção mais além dos próprios interesses. É assim que a alma descobre o ambiente em que vive e aprende a respeitá-lo.

Respeitar é atender com amor, dar lugar a que as pessoas e a natureza se manifestem. Quando respeitamos, descobrimos o mundo dos outros, a natureza que o nutre, a vida que alenta em coisas que até este momento não nos transmitiam nenhuma mensagem. Através do respeito nos fazemos humildes e aprendemos a aprender com o meio e com os demais. Descobrimos assim as ensinanças que até então estavam escondidas por nossa ânsia de que tudo obedecesse a nossa vontade.

Através do respeito o indivíduo começa a se relacionar por participação. Muda sua maneira de responder às circunstâncias da vida e aos seres humanos. Em vez de reagir a favor do que lhe agrada e contra o que o desgosta, aprende a aceitar. Em vez de sofrer ou deleitar-se só com o que se passa consigo, aprende a participar do prazer e do sofrimento dos outros. Em vez de centrar-se em seu próprio devenir, aprende a se enriquecer com o devenir humano. Em outras palavras, abraça tudo o que existe com o mesmo amor expansivo.

A relação por participação se fortalece com práticas apropriadas. O trabalho básico consiste em criar uma atitude de serviço mantendo-se atento às necessidades alheias. Não é necessário contar com tempo extra nem bens abundantes para ajudar os demais.

Cada um, em seu lugar, tem oportunidades para ajudar no momento apropriado com sua compreensão, suas palavras e, especialmente, com fatos. Os atos simples de limpar o que não sujamos, arrumar o que não desarrumamos, compartilhar o que temos, o que sabemos, cuidar das coisas alheias com tanto esmero ou com mais ainda do que se fossem nossas, ajudar a outro em vez de proporcionar uma satisfação a si próprio, cuidar do tom e da intenção das palavras, são um bom começo para a aprendizagem da participação.

Quem participa não dá lugar ao egoísmo nem à inconsciência. Trabalha continuamente com sua mente e seu coração gerando pensamentos de bem e sentimentos positivos. Quando descobre que tem pena de si mesmo, substitui esse sentimento por outro de compaixão pelos que tem menos do que ele e lembra que há muito a ser feito para aliviar o sofrimento humano. Essas práticas simples nos ajudam a que o Mundo, o meio e os demais adquiram realidade em nosso interior.

A relação por participação ensina-nos a reverenciar o Princípio Divino que está presente em tudo. Desta maneira começa-se a travar relação permanente com o Mundo e com todos os seres humanos.

Fonte: “A Arte de Viver a Relação”
Jorge Waxemberg

O mundo ainda tem salvação !


“Trabalhar sobre as relações é a maneira de responder ao desafio que implica nossa ignorância sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos. Todo esforço para responder com palavras a essas perguntas choca-se violentamente com a limitação do cérebro humano.  As relações, ao contrário, nos conectam com todos os aspectos da realidade, inclusive com aqueles que não compreendemos, e marcam vias pelas quais é possível expandir a consciência. O trabalho sobre as relações requer que tenhamos a ousadia de renunciar às ideias formadas sobre o que somos, o que sabemos e o que queremos na vida, e que nos apoiemos, por um lado, sobre a tarefa de nos relacionarmos de forma harmônica e consciente com uma área cada vez maior da realidade, e, pelo outro, sobre a fé em que, já que participamos da totalidade da existência, as respostas finais estão em nós mesmos. A experiência daqueles que remontam ao curso deste maravilhoso caminho interior mostra que isso é possível.”


próximo –
3. A Relação Consigo Mesmo

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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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