4. As Normas de Conduta

À medida em que o ser aprende a se relacionar consigo mesmo, vai-se fazendo consciente das normas de conduta assimiladas na infância. Isso lhe permite reforçar as normas positivas e melhorar as que são um obstáculo à manutenção de boas relações com os demais.

As normas de conduta influem de forma decisiva sobre as relações e não devem ser julgadas de modo superficial como se fossem meros convencionalismos sociais. Assim como os seres humanos precisam falar o mesmo idioma para se entenderem, precisam também de normas de comportamento que formem uma base comum de respeito, em que as relações possam se estabelecer. O caminho do respeito nas relações leva os seres, imperceptivelmente, para o amor compassivo.

Atualmente nem todos dão a devida importância às normas de conduta, especialmente aos modos. Apesar de não se poder viver sem normas, alguns costumam reagir contra elas. Por um lado não querem se controlar e, por outro, não querem aguentar as consequências do descontrole dos demais. Finalmente, mesmo os mais rebeldes tem que se sujeitar a certas normas para que consiga um mínimo de paz na convivência.

Adquirir bons modos é um aspecto básico das normas de conduta. Frequentemente os problemas que separam pessoas animadas de intenções sadias se devem à falta de tato, rudeza ou falta de consideração em suas maneiras. Há laços entre as almas que se rompem para sempre uma vez feridos pela falta de controle e educação. Os bons modos ajudam a superar mesmo as situações mais difíceis e por isso são peças fundamentais no trabalho sobre a relação.

As normas de conduta impulsionam o desenvolvimento espiritual quando são seguidas sempre. Reservar a boa educação só para determinadas circunstâncias, enquanto não se controlam as paixões e os impulsos instintivos na relação habitual, destrói o esforço da alma para aprender a viver. É também muito difícil manter o ideal espiritual vivo e consciente se não se trabalha sobre um dos aspectos mais concretos desse ideal: reconhecer o Princípio Divino em cada homem e em cada mulher.

A maneira de expressar esse reconhecimento é compreender cada um deles em sua circunstância e trabalhar para ajudar a todos, sem distinção. Assim como se respeita a própria vocação e nossa maneira de realizá-la, também se respeitam as decisões e formas de ser dos demais.

Um dos aspectos mais perniciosos das relações pessoais são o orgulho e os sentimentos de superioridade. É comum pessoas boas e esforçadas confundirem auxiliar e aconselhar, com dar ordens. Trabalham com garra para ajudar os outros enquanto suas diretrizes são seguidas por eles, porém se desentendem e os criticam assim que deixam de ouvir seus conselhos. Essa postura é negativa e torna muito difícil a relação com os demais, porque a transforma numa luta para impor a própria vontade ou opinião e revela desdém para com os que se pretende assistir. Essa atitude geralmente está carregada de mau-humor e ressentimento, levando-nos a apontar somente os erros e defeitos, e a esquecer o estímulo e o apreço. Dessa maneira não se delineia um caminho claro a ser seguido e se desmoraliza os que se quer ajudar.

Em vez de nos perguntarmos: “em que me servem os demais?” deveríamos perguntar-nos: “em que eu sirvo aos demais? A quem será útil minha vida, meu trabalho, minha experiência?” Isto é, deixar a atitude de juiz e adotar a de serviço. Os demais fazem parte da nossa própria vida.

Os modos corretos e o juízo certo não bastam para ajudar os demais. Os esforços para fazer o bem são vãos se não forem acompanhados de um amor desinteressado e de uma atitude positiva.

A atitude é positiva quando estimula o desenvolvimento, insufla energia nos outros e transmite amor através de conselhos que possam ser aproveitados e de atos que os beneficiem.

A atitude positiva sustém e alenta as almas, infunde-lhes confiança em sua capacidade para se desenvolver e as anima a enfrentar suas dificuldades. Por outro lado, a atitude positiva gera uma sã alegria por si só e isso já é uma grande ajuda, especialmente nos momentos de provação e de desalento.

A atitude positiva nunca se reduz a um otimismo superficial. Pelo contrário, gera em si mesmo e nos demais o anseio de se esforçar e de se sacrificar por causas nobres.

A atitude positiva não se sustenta sobre o êxito pessoal e a boa sorte. A base da atitude positiva é a fé pura no Divino e o amor compassivo. Por isso os que geram essa atitude tem sempre o mesmo comportamento, estejam contentes ou tristes, triunfantes ou não em seus trabalhos.

– Ainda que não seja fácil expressar alegria em face a acontecimentos dolorosos, ou transmitir energia e fé quando se passa por doenças e provas, é isso o que consegue quem vive animado pelo amor compassivo. Ao ver a imensidão do trabalho que a humanidade tem diante de si, guarda em seu íntimo as penas da vida e, com seu amor e sacrifício, transforma-as em compreensão e alento para todos os seres humanos –

Fonte: “A Arte de Viver a Relação”
Jorge Waxemberg

Atitudes Positivas


“Trabalhar sobre as relações é a maneira de responder ao desafio que implica nossa ignorância sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos. Todo esforço para responder com palavras a essas perguntas choca-se violentamente com a limitação do cérebro humano.  As relações, ao contrário, nos conectam com todos os aspectos da realidade, inclusive com aqueles que não compreendemos, e marcam vias pelas quais é possível expandir a consciência. O trabalho sobre as relações requer que tenhamos a ousadia de renunciar às ideias formadas sobre o que somos, o que sabemos e o que queremos na vida, e que nos apoiemos, por um lado, sobre a tarefa de nos relacionarmos de forma harmônica e consciente com uma área cada vez maior da realidade, e, pelo outro, sobre a fé em que, já que participamos da totalidade da existência, as respostas finais estão em nós mesmos. A experiência daqueles que remontam ao curso deste maravilhoso caminho interior mostra que isso é possível.”


próximo –
5. A Relação com a Sociedade

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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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