7. A Relação com os Pensamentos e Sentimentos

A arte de viver leva o ser humano a se relacionar com seus pensamentos e sentimentos em forma ativa e deliberada. Não está à mercê de pensamentos e sentimentos que o dominam, pelo contrário, dedica-se metodicamente a conhecer e harmonizar seu modo de pensar e de sentir.

Se bem que a maneira de pensar e de sentir esteja determinada em grande parte pela herança e pelo meio ambiente – dentro de qualquer corrente de ideias e em qualquer meio – a qualidade dos pensamentos e sentimentos de um indivíduo depende de seu grau de consciência.

Quanto menor o grau de consciência, mais alguém se identifica com as correntes que o rodeiam e mais subordinada está sua mente a seus impulsos, paixões e desejos. Nesta situação a própria vida é determinada por pensamentos e sentimentos que não foram escolhidos nem podem ser controlados. Nós os defendemos tenazmente, sem sequer considerar se refletem o que na verdade cremos e almejamos.

Sentir e pensar de acordo com os condicionamentos sociais e os instintivos, determina uma longa etapa do desenvolvimento humano e produz ignorância, lutas, ressentimentos e dor.

Apesar de os pensamentos e os sentimentos estarem intimamente ligados, sua relação nem sempre é harmônica, sobretudo quando os impulsos instintivos e os pensamentos egoístas arrastam o ser humano em sentido oposto ao ideal que vislumbra em seus momentos de maior compreensão.

A expansão do modo de sentir é geralmente mais lenta do que a do modo de pensar. Muitas vezes o egoísmo e a paixão se impõem sobre o entendimento. Por exemplo, ainda que alguém compreenda que todos os seres humanos são iguais, pode ocorrer que continue identificando-se com uns e rejeitando outros. Isto não só faz sofrer e desconcerta as vítimas diretas de sua atitude, como afeta negativamente o conjunto das relações humanas. Pensar de uma maneira e sentir de outra é um obstáculo para desenvolver a consciência e construir um mundo de paz e bem-estar.

Aprende-se a influir positivamente sobre o modo de pensar e de sentir, ajustando-se a um método de vida. O trabalho sistemático com a vontade e a atenção, o controle da energia através da atividade intelectual útil e do trabalho produtivo constituem uma ascética mental e afetiva que ajuda quem se esforça por conseguir harmonia. Seus sentimentos respondem paulatinamente a sua nascente consciência do bem e seus pensamentos vão-se sujeitando a sua vontade.

Além de seguir um método de via é necessário contar com técnicas específicas que o acostumem a harmonizar e desenvolver a forma de pensar e de sentir.

Uma técnica de controle mental consiste em substituir pensamentos e sentimentos egoístas por outros mais nobres. Se bem que não se possa evitar que às vezes surjam sentimentos e pensamentos egoístas ou agressivos, pode-se, isto sim, transmutá-los para que produzam um bem em vez de fazer mal.

Quando aparece um pensamento negativo, deve ser observado com a maior frieza possível para que consuma a energia negativa com que está carregado. A seguir, deve-se produzir o pensamento mais elevado que se possa ter nesse momento e retomar as rédeas da mente. Por exemplo, se se tem um pensamento negativo em relação a uma pessoa, assim que se toma consciência dele deve-se criar um pensamento positivo em relação a essa mesma pessoa. Pode-se dizer uma oração por ela, ou pode-se imaginar que se a cobre com um sentimento de paz e amor.

Se somos consequentes nesta técnica de substituição, pouco a pouco mudamos o hábito de reagir ferindo, por aquele de responder amando.

Outra técnica para controlar a forma de pensar consiste em gerar amor por tudo o que se deve realizar. A atenção desinteressada faz com que a mente permaneça sobre o centro escolhido e, ao mesmo tempo, mantenha-se alerta a tudo o que se desenvolve a seu redor. Isto produz um grande poder de atenção e de percepção. Ao se liberar da distração incessante dos pensamentos associativos e dos impulsos inconscientes, a mente percebe o que acontece, compreende as experiências e expande os sentimentos. Cada momento da vida se transforma numa ensinança.

Essas técnicas são simples de ser aplicadas, mas exigem um profundo amor à liberdade interior. Só esse amor pode gerar a força suficiente para mudar uma maneira de pensar e de sentir que define alguém como uma personalidade limitada e separada da totalidade da vida.

A reta intenção e o trabalho contínuo são, em última instância, os melhores aliados para se conseguir uma relação harmônica com nossos pensamentos e sentimentos.

Quem conseguir harmonia entre mente e coração é livre para pensar e sentir de acordo com seu ideal e tem em suas mãos os meios necessários para construir um mundo de paz e felicidade para toda a humanidade.

Fonte: “A Arte de Viver a Relação”
Jorge Waxemberg

Augusto Cury – Sabedoria


“Trabalhar sobre as relações é a maneira de responder ao desafio que implica nossa ignorância sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos. Todo esforço para responder com palavras a essas perguntas choca-se violentamente com a limitação do cérebro humano.  As relações, ao contrário, nos conectam com todos os aspectos da realidade, inclusive com aqueles que não compreendemos, e marcam vias pelas quais é possível expandir a consciência. O trabalho sobre as relações requer que tenhamos a ousadia de renunciar às ideias formadas sobre o que somos, o que sabemos e o que queremos na vida, e que nos apoiemos, por um lado, sobre a tarefa de nos relacionarmos de forma harmônica e consciente com uma área cada vez maior da realidade, e, pelo outro, sobre a fé em que, já que participamos da totalidade da existência, as respostas finais estão em nós mesmos. A experiência daqueles que remontam ao curso deste maravilhoso caminho interior mostra que isso é possível.”


próximo –
8. A Relação com os Defeitos e as Virtudes

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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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