9. A Relação com os Problemas e as Dificuldades

A vida do ser humano se assemelha a uma senda com ladeiras e asperezas que em muitos trechos exige um esforço especial para ser percorrida. Para que esta senda não se transforme de difícil em intransitável, deve-se discernir com clareza, a diferença entre as dificuldades que se devem superar dos problemas que ela tende a originar.

As dificuldades são próprias da vida e marcam os momentos que exigem maior atenção e esforço. Ninguém está livre de dificuldades; todos os seres humanos tem que lutar para subsistir, estão sujeitos a acidentes, a doenças, a catástrofes, às limitações da sociedade, ao declínio e à morte. Precisamente, as dificuldades assinalam os obstáculos que devem ser superados para que continuemos a nos desenvolver.

Os problemas, ao contrário, são originados por nós mesmos quando não sabemos enfrentar as dificuldades.

Podemos saber facilmente quando enfrentamos uma dificuldade ou um problema, observando nossa própria atitude. Quando nos confrontamos com uma dificuldade, aceitamos esse desafio e estamos prontos para responder a ele. Compreendemos que o que sofremos é parte da vida e buscamos em nós mesmos recursos que nos ajudam a superar a dificuldade. Compreendemos também que precisamos de conselho e o procuramos com uma atitude aberta, dispostos a trabalhar. Contudo, quando nos confrontamos com um problema, buscamos soluções fora de nós mesmos, culpamos os outros e, sobretudo, não damos ouvidos aos conselhos que nos estimulam a descobrir nossas opções, a desenvolver nosso discernimento e a gerar em nós mesmos as forças para superar a situação.

Quando temos um problema, queremos deixar de sofrer. Desejamos especialmente que algo ou alguém se modifique para eliminar a causa de nosso sofrimento. Essa atitude frequentemente se choca contra nossa própria impotência, já que bem poucas vezes pode alguém mudar as circunstâncias ou as pessoas impondo seus desejos. Já que com angústia e reação não conseguimos superar o problema, criamos um problema ainda maior dentro do conjunto de problemas que geramos com nossa atitude.

Uma causa comum de problemas é a atitude de pretendermos alcançar objetivos sem termos que percorrer o caminho que nos leva a eles. O ser humano quer tudo, mas rejeita o esforço necessário para realizar seus anseios. É fácil esforçar-se enquanto há entusiasmo; mas quando este decai, é comum pensar que a vida é dura conosco e mergulharmos no desalento. Essa atitude transforma uma dificuldade natural num problema insolúvel, já que nada, nem ninguém pode nos dar o que desejamos: não dispender nenhum esforço.

Outra dificuldade que geralmente se transforma em problema é a que apresenta a passagem do tempo. As dificuldades próprias do envelhecimento são naturais e evidentes para quem quer que esteja disposto a vê-las. Mas, quando alguém não quer enfrentá-las, a solução que pretende é não envelhecer, ou envelhecer sem sofrer os inconvenientes inerentes à idade. Como não pode conseguir isso, quando o envelhecimento traz dificuldades, transformam-nas em fonte de medo e de ressentimento e, ao buscar maneiras para não enfrentar a situação, criam problemas sérios.

É óbvio que esses problemas não tem solução, que a maneira de superar as dificuldades é enfrentá-las e trabalhar sobre elas. Não aceitar as asperezas do caminho é não aceitar o caminho; não aceitar as dificuldades é o mesmo que não aceitar a vida.

A relação com os problemas deve ser decidida e enérgica.

O único caminho transitável que a alma tem diante de si é compreender a natureza de seus problemas e o desempenho de sua atitude quando eles se originam. Não a ajuda saber se tem razão ao se queixar, se padece por culpa de algo ou de alguém. Seu problema não terminará ao castigar em culpado nem ao esperar que mude o que não está em suas mãos mudar. Somente trabalhando sobre si mesmo, o ser humano pode eliminar o problema, já que tem em seu interior o poder para modificar, melhorar, compreender e realizar.

Quando alguém descobre sua força interior e compreende que a origem de seus conflitos está em sua atitude, seus problemas se simplificam até se constituir somente nas dificuldades próprias da vida, que ela deve superar para se desenvolver. Quando alguém compreende sua atitude, indefectivelmente encontra o conselho oportuno, a ajuda necessária, a força interior que o leva a superar suas dificuldades.

A relação com as dificuldades deve ser humilde, simples e corajosa.

A relação com as dificuldades é humilde quando o ser humano compreende e aceita seus limites; quando sabe reconhecer a pequena porcentagem de acontecimentos que pode controlar e aceita o resto como desafio para extrair a ensinança que encerra. Quem é humilde sabe que a lei da vida não pode ser mudada à sua vontade, que a única vida que pode viver é a sua e que as dificuldades que encontra também lhe servem de pontos de apoio para seu trabalho interior.

O homem ou a mulher humildes podem prever as dificuldades, pois ao olhar a vida sem arrogância veem com clareza o caminho que tem pela frente.

A relação com as dificuldades é simples quando se ama a verdade mais do que a imagem que se faz de si mesmo.

Quem anseia por se conhecer não interpreta as dificuldades com razões rebuscadas. Sabe que as dificuldades significam trabalho e esforço e não as usa para ter pena de si mesmo nem para justificar uma atitude de derrota. Vê-se a si mesmo tal como é, com virtudes e defeitos, com limitações e possibilidades e olha com serenidade de espírito o caminho que tem diante de si.

A relação com as dificuldades é corajosa quando não tenta poupar esforços para superá-las. A alma sabe que tem sem si mesma a força necessária para realizar sua vida em toda sua plenitude e põe-se a trabalhar com toda a energia para o seu próprio bem e o de todas almas.

Quando o ser sabe que sua fortaleza depende de sua atitude frente às dificuldades, deixa de sonhar com uma vida fácil e concentra sua energia em trabalhar para percorrer firmemente seu caminho de desenvolvimento, até o fim.

Fonte: “A Arte de Viver a Relação”
Jorge Waxemberg

Melhor vídeo motivacional de todos os tempos! Coaching

O melhor comercial do mundo (2014) – MOTIVACIONAL

A arte de vencer se aprende nas derrotas.
gnrgibson


“Trabalhar sobre as relações é a maneira de responder ao desafio que implica nossa ignorância sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos. Todo esforço para responder com palavras a essas perguntas choca-se violentamente com a limitação do cérebro humano.  As relações, ao contrário, nos conectam com todos os aspectos da realidade, inclusive com aqueles que não compreendemos, e marcam vias pelas quais é possível expandir a consciência. O trabalho sobre as relações requer que tenhamos a ousadia de renunciar às ideias formadas sobre o que somos, o que sabemos e o que queremos na vida, e que nos apoiemos, por um lado, sobre a tarefa de nos relacionarmos de forma harmônica e consciente com uma área cada vez maior da realidade, e, pelo outro, sobre a fé em que, já que participamos da totalidade da existência, as respostas finais estão em nós mesmos. A experiência daqueles que remontam ao curso deste maravilhoso caminho interior mostra que isso é possível.”


próximo –
10. A Relação com o Corpo

Anúncios

Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
Citação | Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

You are free to comment

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s