16. A Relação com Deus

A arte de viver ensina que se aperfeiçoamos nossa relação com o próximo, não é para conseguir vantagens mas para melhor ajudar; se melhoramos nossa relação com a Terra não é para explorá-la com maior proveito mas para integrar-nos a ela; e se buscamos uma melhor relação com o Divino não é para ganharmos o céu mas para transcender a noção de ser um ente separado e oposto, para tomarmos consciência de ser em participação e unir-nos a Deus.

Do ponto de vista espiritual a relação é um meio e nunca um fim. Como acontece com qualquer meio, se a intenção não é clara, pode-se perder de vista o fim que se quer alcançar.

O fim que a alma persegue, trabalhando sobre suas relações determina o que irá conseguir: manipular melhor o meio – tudo o que define como “não eu” – ou conseguir o grau mais elevado de amor. Para que o aperfeiçoamento das relações tenha um sentido transcendente é necessário que seu objetivo seja a união. Por esse motivo o trabalho sobre as relações deve ser entendido como um meio e responder claramente a duas perguntas fundamentais: por que e para que harmonizar as relações?

Por quê: por que o trabalho de harmonizar as relações dá ao ser humano os meios para superar a separatividade.

Para quê: para expandir a consciência através de um amor cada vez mais perfeito; em outras palavras, para alcançar a união com Deus.

Ao longo do processo da harmonização das relações, passa-se por diversos graus de participação que marcam duas grandes etapas de relação com os demais e com Deus.

  1. Relação orientada para a sobrevivência e conquista.
  2. Relação orientada para a participação.

A primeira etapa pode ser subdividida em períodos de competição, de tolerância e de solidariedade.

A longa etapa da luta pela sobrevivência e o afã por conquista se baseia na divisão que fazemos entre o que acreditamos que somos e tudo o mais – quer sejam os seres humanos, a natureza, o Universo ou Deus.

A necessidade de sobreviver nos leva a competir a qualquer custo sem reparar nas consequências, e dá à relação com Deus o objetivo de assegurar nossa própria sobrevivência como um ente separado do resto, tanto neste mundo como no mais além. Deus há de nos proteger neste mundo das catástrofes naturais, das doenças e dos inimigos, e também no outro mundo, depois da morte. Teme-se Sua ira e Seu castigo. Pactua-se com Ele para contar com Seu apoio na concorrência com os estranhos; fazendo-se-Lhe oferendas em troca de Seus favores.

Mesmo que através de seu desenvolvimento o ser humano consiga, em certa medida, proteger-se e obter o que precisa para subsistir, mantém uma atitude competitiva. O fato de julgar-se separado do conjunto o induz a tudo manipular, a acreditar que pode destruir o que se opõe a suas conquistas e a competir inconscientemente com o Deus que adora. Mas não saber quem é nem para o que vive, força-o à humildade e a prostrar-se diante de Deus pedindo ajuda e misericórdia. Sua relação com Deus é de esperança por um lado e de resignação pelo outro.

O sofrimento por seu isolamento vai ensinando o ser humano a medir o custo da disputa e o valor da tolerância, a aceitar os demais e também a aceitar a vontade de Deus.

A tolerância leva, pouco a pouco, à solidariedade, o período mais belo desta primeira etapa. Se bem que a divisão que se faz entre nós e os demais continue sendo mantida, a compaixão eleva o nível da relação. Além de tolerar os demais, colabora-se com eles, assistindo-os em suas necessidades e compartilhando o que temos.

A solidariedade se mostra também através do respeito pela Terra e por seus recursos, da preocupação com seu uso e do esforço para reparar os danos já produzidos nela.

A solidariedade abre as portas à participação com todas as almas e também com Deus.

Na etapa da participação o ser humano sabe que é parte de um todo, e assim o sente. Ele o expressa espontaneamente através de suas relações. Sua resposta a sua necessidade de desenvolvimento é também a resposta às requisições do adiantamento da humanidade. Seu bem particular e o bem da humanidade são o mesmo bem.

O ser humano percebe apenas certos aspectos do sistema de relações a que pertence; mas o fato de participar dele implica ter a possibilidade de ser consciente de todo o sistema. O trabalho sobre as relações atualiza esse potencial e vai desenvolvendo sua consciência em direção a um estado de união com Deus. A consciência de participar da totalidade da vida é um estado que ele vai alcançando gradualmente, ao longo de um processo em que se distingue um ponto final.

A alma vai tecendo relações em seu esforço para conectar-se com todos os aspectos da vida, mas, na medida em que seu círculo se expande, as linhas de relação se fundem umas com as outras. Chega o momento em que a relação é “com” alguém ou “com” Deus, senão que tudo adquire realidade dentro da alma.

A união com Deus acontece no íntimo da alma e não pode ser explicada. O que se observa neste processo de união é a simplificação gradual das relações até que todas elas se integram numa relação única. Isso mostra que o aperfeiçoamento das relações não se dirige para a complexidade e a sofisticação, mas, pelo contrário, para a transparência e simplicidade.

Para ir aperfeiçoando sua relação com Deus a alma precisa ter a ousadia de renunciar a apoios, a valentia de sair do refúgio de suas ideias e a determinação de canalizar seus esforços dentro de um método viável que produza seu desenvolvimento.

O trabalho sobre o sistema das é uma parte fundamental desse método. É apropriado para todos os seres humanos já que as relações são a própria trama da vida.

Aprender a se relacionar é o mesmo que aprender a arte de viver; quando a alma se harmoniza e expande seu sistema de relações, sua vida abarca a vastidão do Universo e sua consciência vai-se fazendo apta para desvelar o mistério do Divino.

Fonte: “A Arte de Viver a Relação”
Jorge Waxemberg

ps: “não consigo descrever meus sentimentos gerados após assistir este vídeo”

Motivacional 2013 – Lindo Video!


“Trabalhar sobre as relações é a maneira de responder ao desafio que implica nossa ignorância sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos. Todo esforço para responder com palavras a essas perguntas choca-se violentamente com a limitação do cérebro humano.  As relações, ao contrário, nos conectam com todos os aspectos da realidade, inclusive com aqueles que não compreendemos, e marcam vias pelas quais é possível expandir a consciência. O trabalho sobre as relações requer que tenhamos a ousadia de renunciar às ideias formadas sobre o que somos, o que sabemos e o que queremos na vida, e que nos apoiemos, por um lado, sobre a tarefa de nos relacionarmos de forma harmônica e consciente com uma área cada vez maior da realidade, e, pelo outro, sobre a fé em que, já que participamos da totalidade da existência, as respostas finais estão em nós mesmos. A experiência daqueles que remontam ao curso deste maravilhoso caminho interior mostra que isso é possível.”


FIM

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Sobre Alexandre de Castro

Ser Humano que busca obter êxito ao praticar o altruísmo, pois aprendi que, apenas mantenho o que Dele recebo, quando compartilho com o meu igual: Você.
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